Laser

Saúde íntima feminina - Laser de CO2 fracionado

O uso do laser CO2 fracionado para o rejuvenescimento e estética íntima é um tratamento novo e revolucionário. Sua finalidade é estimular o organismo a produzir novo colágeno, elastina e vascularização da mucosa vaginal e assim melhorar diversos sintomas ginecológicos e estéticos da vulva e da vagina.

Os tratamentos dermatológicos com laser são mundialmente difundidos, porém na ginecologia, esse tipo de laser foi introduzido em meados da década de 90 chegando oficialmente ao Brasil apenas em 2013. 

O laser vaginal é seguro, praticamente indolor e não causa queimaduras, sendo possível retornar às suas atividades normais no mesmo dia.


Indicações:
  • Atrofia vulvar e vaginal (secura e afilamento da mucosa vaginal da menopausa e após tratamentos de quimioterapia/radioterapia)
  • Corrimento persistente por alteração de pH vaginal
  • Infeção urinária de repetição (quando a causa principal é a atrofia vulvovaginal)
  • Vulvodínea, dores na vulva sem outros achados em exame de vulvoscopia
  • Líquen escleroso
  • Dor vaginal após parto, diminuição da cicatriz de episiotomia no parto vaginal e da cicatriz de cesárea.
  • Incontinência e urgência urinária da menopausa
  • Frouxidão vaginal
  • Redução dos pequenos lábios (estética vulvar)
  • Prevenção do processo de envelhecimento vulvar
  • HPV vaginal, condilomas vulvares

Como o Laser de CO2 fracionado funciona:

O laser causa leves queimaduras superficiais (microablações) que precisam ser cicatrizadas. Essas microablações desencadeiam atividade de fibroblastos que estimulam a produção de colágeno novo, promovendo rejuvenescimento vaginal de forma minimamente invasiva. Ele melhora o trofismo local, crescimento dos lactobacilos protetores do pH vaginal, hidratação vaginal, bem como o retorno da elasticidade e complacência vaginal. 
Com o intuito de minimizar danos e ao mesmo tempo otimizar resultados e a rápida cicatrização, foi criado o laser fracionado no qual as microablações são intercaladas com áreas sã. 


Como é feito o procedimento:

O tratamento é realizado em consultório. 
Dependendo da região a ser tratada, aplica-se gel anestésico 30 minutos antes da realização do tratamento.

A paciente será colocada na posição ginecológica (mesma posição da coleta de Papanicolau/ citologia oncótica). O médico introduz a ponteira dentro da vagina e adequa os parâmetros do equipamento em função do tipo de pele e tratamento à ser realizado. O procedimento se inicia com a emissão de pulsos de energia laser. A aplicação do laser dura de 10 a 20 minutos. 

O procedimento pode causar discreto desconforto, bem como sensação suportável de queimação/choque ou cólicas leves, sendo que na maioria das vezes as pacientes relatam apenas aquecimento local.

O número de sessões varia de acordo com o tratamento a ser realizado e de acordo com os objetivos da paciente, podendo ser de duas até cinco sessões. Para o adequado tratamento da região vulvovaginal é necessária a realização mínima de duas aplicações com intervalo entre 30 a 60 dias. 

Como o envelhecimento é um processo constante, recomenda-se a avaliação anual da região tratada com reaplicação do laser a cada 12 -18 meses.


Quem pode fazer:

Por se tratar de um laser ablasivo, ou seja, que pode provocar danos na pele, o ideal é que o procedimento seja realizado por um médico especialista, sendo que o ginecologista é o profissional mais indicado para os tratamentos vulvovaginais e dermatologista/cirurgião plástico para os tratamentos de pele.


Contraindicações:

O laser CO2 fracionado deve ser realizado com cautela em pacientes com pele negra, orientais ou com vitiligo, lúpus e outras doenças fotossensíveis ou que estão em uso de medicamentos imunossupressores, fotosensibilizantes, anticoagulantes orais. Pacientes com problema de cicatrização hipercrômica (cicatrizes escuras) ou hipocrômicas (cicatrizes claras) também devem ser bem avaliados.

Não deve ser realizado em pacientes com herpes em atividade. 

O procedimento não é indicado para grávidas, já que não existem estudos que comprovem a segurança para a gestante e para o bebê.


Efeitos colaterais/ possíveis complicações:

Pela tecnologia desse laser ser fracionado, a chance de complicação é rara, porém não ausente. 

Podem ocorrer: reações próprias e inerentes à cada pessoa, com subsequente variação no tempo de cicatrização, aparecimento de infeção (ex: herpes vírus), cicatrizes, sangramento e manchas.

O risco dessas complicações é reduzido uma vez que o médico realiza a avaliação completa da paciente previamente ao procedimento.


Cuidados antes do procedimento:

A mulher que irá se submeter a este procedimento deve ter realizado uma revisão ginecológica recente, últimos 12 meses, para rastreio de câncer de colo de útero ou vagina.

Deve-se interromper o uso de cremes ou óvulos vaginais na semana anterior ao tratamento e não pode haver infecção genital aguda ou recente. 

No caso de pacientes que sabidamente apresentam histórico de herpes é recomendável realização de profilaxia para evitar quadro agudo.


Cuidados e orientações após o procedimento:
  1. É muito o aparecimento de vermelhidão e inchaço na pele da vulva. Esse inchaço faz parte do tratamento e diminui a cada dia, durando em média 4 dias. Para diminuir essa vermelhidão e auxiliar a cicatrização, o médico poderá prescrever cremes para uso externo/interno e orientar a realização de compressas frias nos primeiros dois dias.
  2. Abstinência sexual - por 10 dias pelo risco de infeção e para evitar a dor do atrito. É importante saber que o efeito do tratamento só é alcançado após 30 dias do procedimento.
  3. É normal o aparecimento de secreção vaginal após alguns dias da aplicação.
  4. Deve-se evitar banho de banheira, piscina ou praia por pelo menos 5 dias após o tratamento.
  5. Deve-se usar protetor solar nas áreas expostas ao sol.
  6. Não é necessário afastamento do trabalho ou de qualquer atividade diária que costume fazer.


Referências:

J Cosmet Laser Ther. 2018 Jun 8.The effects of fractional microablative CO2 laser therapy on sexual function in postmenopausal women and women with a history of breast cancer treated with endocrine therapy. 
Gittens P, Mullen G.

Open Access Maced J Med Sci. 2018 Jan 5. Carbon Dioxide with a New Pulse Profile and Shape: A Perfect Tool to Perform Labiaplasty for Functional and Cosmetic Purpose.
González-Isaza P, Lotti T, França K, Sanchez-Borrego R, Tórtola JE, Lotti J, Wollina U, Tchernev G, Zerbinati N.

Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2017 Jun. Safety and long-term efficacy of fractional CO2 laser treatment in women suffering from genitourinary syndrome of menopause.
Behnia-Willison F, Sarraf S, Miller J, Mohamadi B, Care AS, Lam A, Willison N, Behnia L, Salvatore S.

Climacteric. 2015 Apr. Sexual function after fractional microablative CO₂ laser in women with vulvovaginal atrophy.
Salvatore S, Nappi RE, Parma M, Chionna R, Lagona F, Zerbinati N, Ferrero S, Origoni M, Candiani M, Leone Roberti Maggiore U.

Climacteric. 2014 Aug. A 12-week treatment with fractional CO2 laser for vulvovaginal atrophy: a pilot study. Salvatore S, Nappi RE, Zerbinati N, Calligaro A, Ferrero S, Origoni M, Candiani M, Leone Roberti Maggiore U.


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